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Postada em: 8/5/2018 10:32:29

Todos somos culpados, mas...

Por Paulo Roberto Sampaio.

 

Todos somos culpados, mas...

 

Por Paulo Roberto Sampaio

 

Tribuna da Bahia, Salvador

08/05/2018

 

        

Os últimos conflitos entre motoristas e agentes da  Transalvador me fizeram refletir onde está a causa de tudo. Voltei no tempo, uns dois ou três anos, uma longa entrevista que fiz com o superintendente da Transalvador, Fabrizio Muller. A impressão foi a melhor possível. Ele me mostrou o centro de monitoramento do trânsito da cidade que estava acabando de instalar e falou dos planos para o setor. Fiquei impressionado.

 

Carregava no pulso um desses relógios moderninhos (à época, pelo menos), digital, preto, desses que são também um computador, recebem e-mail e estão antenados com o mundo. Disse a mim mesmo: esse cara vai realizar uma revolução no trânsito da cidade, tem uma visão moderna e me parece bem preparado.

 

Não diria que estou frustrado com o que vejo hoje, todo esse tempo depois, mas uma coisa é certa: a Transalvador pode ter se modernizado em equipamentos, em radares de última geração, em sensores e câmaras ultra modernas, como o reluzente relógio do seu superintendente, mas ele esqueceu de investir num elemento básico: a qualificação e treinamento de seus agentes. O preparo para tratar a comunidade, os motoristas em especial. E as consequências estão aí em cada rua, em cada praça.

 

Recorro ao testemunho do colega Chico Araújo, jornalista e mestre em comunicação e seu testemunho de como esses pretensos agentes de trânsito agem. Em lugar de orientar, educar e agir com uma advertência, preferem se esgueirar  entre árvores, carros ou qualquer obstáculo, de onde possam exercer o que parece ser sua função maior: multar, multar e multar.

 

Diz Chico: "Sou contra a violência, mas os prepostos (da Transalvador) não têm credibilidade e sua simples presença em algum lugar já dá a ideia que estão ali simplesmente para multar. No início do ano, próximo ao Hospital Português, aguardei dentro do carro por uma vaga... Um flanelinha me avisou: "Cuidado, os caras da Transalvador ficam escondidos aqui multando". Olhei para os lados, não vi guarda nenhum, mas mesmo assim segui a orientação do flanelinha e fui dar mais uma volta. A multa chegou!. Não sou violento, mas a covardia do tal preposto valeria uns bons cascudos, até pq o papel deles até onde eu saiba é educar, orientar e, por último, multar".

 

Sei que pelo que conheço de Chico jamais daria os tais cascudos, mas assim agem os agentes da Transalvador, seguindo, talvez, a orientação da direção. A ordem não é educar, orientar, desobstruir o trânsito, mas multar, arrecadar, sangrar o bolso de uma classe media já tão sofrida e sacrificada.

 

 

 

De uma colega, agora, desta feita a competente e premiada repórter fotográfica Margarida Neide, do jornal A Tarde, recolho mais um desabafo sobre a atuação de agentes da Transalvador: "No último jogo Vitória x Corinthians, no Barradão, a Transalvador protagonizou um dos atos mais selvagens contra um profissional de imprensa que se tem notícia. O repórter fotográfico Betto Jr, do Correio da Bahia, foi agredido covardemente. O agente quebrou a cabeça do colega (5 pontos), quando ele caiu foram vários chutes no rosto afetando nariz e maxilar, alem de quebrar todo equipamento do fotógrafo.... É estarrecedor! Agora eles querem armas, porque se acham agredidos, me poupe viu? Em vez de armas, o que eles precisam é de curso de formação para tratar bem os cidadãos que pagam seus salários. Precisam aprender que a função deles é ORIENTAR O TRÂNSITO COM EDUCAÇÃO E RESPEITO e não ficar multando o tempo todo e tratando as pessoas com total falta de respeito. Quem já precisou falar com algum desses agentes sabe do que estou falando aqui. Querem armas para que? Imagina se esse troglodita estivesse armado no dia do jogo, teríamos perdido um grande profissional e um amigo, porquê do jeito que a coisa aconteceu, com uma arma na mão não teria sido chutes".

 

E eu pergunto ao dr. Fabrizio Muller: que tal economizar esses milhares de reais que os gordos cofres da Transalvador devem ter para gastar com gás de pimenta, arma de choque e outras mais, e comprar prosaicos apitos, semelhantes ao que o saudoso guarda Pelé usava para disciplinar o trânsito no centro da cidade, tornando-se respeitado e querido pelos motoristas? Quantas vezes você já viu um desses agentes empenhado de verdade em desafogar o trânsito na cidade? Ou melhor: quando eles fazem greve, você vê alguma diferença no trânsito? Mais engarrafamentos?

 

Pois é, caro Fabrizio, fico à vontade ao relatar esses fatos porque não estou agindo em causa própria e por uma razão muito simples: preferi vender meu carro e andar de Uber. Foi a forma que encontrei de me livrar da ganância da Transalvador, da truculência de seus agentes. Tenho um carro esporte, que vai virar peça de museu. Em 7 anos rodei 5 mil km com ele. Nem a primeira revisão fiz. Mas e o resto da sociedade, que depende do carro no dia-a-dia, como condução para levar um filho à escola, para ir ao médico ou mesmo ao trabalho? Deve se armar também para essa guerra que se avizinha?

 

Acho que os dois lados precisam agir com moderação e prudência. Leis existem para ser respeitadas e os motoristas devem ter consciência disso, mas os agentes responsáveis pela sua aplicação precisam ser educados, civilizados e preparados para tal. Ou não?

 

 

 

 

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