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Postada em: 10/8/2018

II Congresso Afrobrasileiro - uma releitura 81 anos depois

DE 11 a 13 de setembro de 2018 no IGHB.

 

II Congresso Afrobrasileiro - uma releitura 81 anos depois...

 

10/08/2018

 
 

II CONGRESSO AFROBRASILEIRO - uma releitura 81 anos depois...

 

11 a 13 de setembro de 2018 - Instituto Geográfico e Histórico da Bahia 

 

Já estão abertas as inscrições para o simpósio que vai debater o legado do II Congresso Afrobrasileiro, realizado em Salvador, em 1937, sob a coordenação da Comissão Executiva formada por Edison Carneiro, Martiniano Bonfim, Aydano do Couto Ferraz, Azevedo Marques e Reginaldo Guimarães. 

Dezenas de especialistas estarão reunidos no auditório do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, de 11 a 13 de setembro para debater, como na edição de 81 anos atrás, a realidade da população afro-brasileira e a valorização da contribuição africana para a formação da sociedade.


A inscrição é gratuita e pode ser feita pelo link
O evento é promovido pelo IGHB com patrocínio do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia/Secult/GovBA e tem apoio do CEAO-Ufba.

 

Em breve a programação completa será divulgada.


Link de inscrição:

https://www.eventbrite.com.br/e/ii-congresso-afrobrasileiro-releitura-81-anos-depois-tickets-48951535360

 

 
 
HISTÓRICO:
O simpósio tem como fulcro o estudo, a difusão, a rememoração e avaliação dos legados do II Congresso Afro-Brasileiro, realizado em Salvador, Bahia, de 11 a 20 de janeiro de 1937, sob a coordenação da Comissão Executiva formada por Edison Carneiro, Martiniano Bonfim, Aydano do Couto Ferraz, Azevedo Marques e Reginaldo Guimarães.
Eram objetivos “estudar a influência do elemento africano no desenvolvimento do Brasil, sob o ponto de vista da etnografia, do folclore, da arte, da antropologia, da história, da sociologia do direito, da psicologia social, enfim de todos os problemas de relações de raças no país”.

 

O 2º Congresso Afro-Brasileiro centralizou o debate na realidade da população afro-brasileira, tendo em consideração que nele tomaram parte não só os intelectuais e estudiosos da temática afro-descendente; participaram também sacerdotes do culto afro, ou povo de santo, que de forma inédita, até aquele momento, abriram os terreiros e barracões, realizando atividades especialmente para os participantes do Congresso. Como dito nas palavras inaugurais: “Eminentemente científico, mas também eminentemente popular, o Congresso não reúne apenas trabalhos de especialistas e intelectuais do Brasil e do estrangeiro, mas também interessa a massa popular, os elementos ligados por tradições de cultura, por atavismos ou por quaisquer outras razões, à própria vida, artística, econômica, religiosa, do Negro do Brasil”.

 

Em 1936, Édison Carneiro convidou Martiniano Eliseu do Bonfim para ser o Presidente de Honra do 2º Congresso Afro-Brasileiro, papel que ele exerceu com grande interesse e dignidade. À véspera da abertura oficial do Congresso, o jornal Estado da Bahia, em sua edição de 9 de janeiro de 1937, publicava com destaque: "O 2º Congresso Afro-Brasileiro Na próxima segunda-feira, 11, às 15 horas, no Instituto Histórico da Bahia / A sessão será presidida pelo Professor Martiniano do Bonfim, antigo colaborador de Nina Rodrigues". Já na edição do dia doze, noticiava: “Segundo Congresso Afro-Brasileiro. Como decorreu a sua sessão de instalação. Presidida por Martiniano do Bonfim, o antigo colaborador de Nina Rodrigues, realizou-se ontem, conforme estava marcada, a sessão inaugural do Congresso Afro-Brasileiro da Bahia (...) Presente grande número de congressistas, o escritor Áydano do Couto Ferraz leu o termo de abertura do Congresso, assinado pela Comissão Executiva e logo em seguida passou a presidência ao Professor Martiniano do Bonfim, que se achava ladeado pelo escritor Édison Carneiro e pelo juiz federal Mathias Olympio”.
Martiniano do Bonfim teria, ainda, uma participação definitiva na organização da União de Seitas Afro-Brasileiras, criada em decorrência de uma das resoluções do Congresso.

 

Quanto à festa do Opô Afonjá, por ocasião do II Congresso Afro-Brasileiro, foi assim noticiada o Estado da Bahia de 14 de janeiro: “Tiveram grande brilhantismo as festas de ontem do 2º Congresso Afro-Brasileiro. À noite os congressistas em marinetti especial, foram visitar o Centro Cruz Santa do Axé do Opô Afonjá, de D. Aninha, em São Gonçalo do Retiro. Ali os esperava uma festa especialmente preparada para os congressistas. Todo o terreiro estava aberto à visita dos congressistas. A festa do Opô Afonjá encantou sobremaneira os congressistas”.

Para o Prof. Vivaldo da Costa Lima: “É bom que se evoquem esses fatos, tantos anos depois de ocorridos quando uma mãe-de-santo tradicionalista e rigorosa não hesitou em organizar uma festa em seu terreiro, fora do calendário ritual, para uma finalidade que ela considerou (e o Xangô da casa decerto confirmou!) necessária a um propósito válido. Não houve, então, contudo, qualquer concessão indevida, nenhuma quebra de norma - mas o pleno exercício da autoridade e da capacidade de decidir, dentro da coerência dos princípios, do ‘ritmo da casa’, como costuma dizer a ialorixá Senhora. Aninha cumpriu o prometido a Carneiro e preparou um pequeno trabalho sobre a culinária africana, entregue aos organizadores do Congresso, depois do seu final, e por eles incluídos como Apêndice ao volume O negro no Brasil, (Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1940), com o título ‘Nota sobre comestíveis africanos’. A ‘Nota’ é uma breve lista de vinte cinco qualidades de comidas, todas com nomes iorubás (menos uma – ‘farofa’) e descritas - as que o foram, com extrema simplicidade, com breves referências à forma ou ao ingrediente básico nelas utilizados. Nenhuma informação, no entanto, sobre a "maneira de fazer" e, menos ainda, ao seu possível emprego ritual no candomblé. Esse despojamento nas ‘receitas’ de Aninha indica, claramente, no campo da comida ritual, o que significa, para o povo-de-santo, a reserva nas ‘coisas-de-fundamento’. Pois as "comidas africanas" listadas por Aninha eram, todas elas, comidas-de-santo, oferecidas nas obrigações aos orixás, que têm suas próprias preferências alimentares, sempre associadas a seus mitos e a uma complexa prescrição simbólica. Aninha ficou, assim, para atender ao pedido de Carneiro, no extremo limite que podia se permitir: uma lista quase sinótica de comidas africanas, sem de nenhuma maneira relacioná-las com os sacrifícios e as oferendas votivas aos orixás. Atendeu ao pedido do amigo, mas o fez com as reservas do seu código de mãe-de-santo”.

 

Registre-se ainda a grande rede de solidariedade, formada em apoio ao 2º Congresso Afro-Brasileiro. Contando com a participação de instituições religiosas e laicas, entre as quais o Departamento de Cultura da Prefeitura Municipal de São Paulo, que ofereceu importante ajuda institucional, e era então dirigido por Mario de Andrade, o Instituto Histórico da Bahia, presidido por Theodoro Sampaio, e, pelo Instituo Nina Rodrigues, dirigido por Estácio de Lima.
Saliente-se também a grande expectativa que cercou à realização do II Congresso Afro-Brasileiro. Tendo em vista o debate que se instalou desde que Gilberto Freire, principal organizador do I Congresso, realizado no Recife, em 1934, declarou, em entrevista ao Diário de Pernambuco, não acreditar no sucesso do II Congresso, e muito menos na participação de estudiosos estrangeiros entre os quais destacava o Prof. Melville Herskovits. Gilberto Freire ignorava que Herskovits já teria enviado o seu trabalho.

 

Em sua contribuição a esse Congresso, Jorge Amado ressaltou a importância dos Congressos de 1934 e 1937 para o desenvolvimento dos estudos afro-brasileiros e o aparecimento de Arthur Ramos, como um dos intelectuais dedicados a essa temática. Segundo Amado a produção acadêmica dos especialistas em estudos afro-brasileiros teria rompido com a “vergonha” ou “covardia” da intelectualidade brasileira em “reconhecer e estudar” a “contribuição do negro à formação da nacionalidade” ou ainda “da contribuição do trabalho, da inteligência do negro à formação do país, do Brasil”.

 

No momento em que o debate e a implementação de ações de reparação aos afro-descendentes e sua inclusão nos mais variados espaços e esferas da vida social brasileira configura-se como uma realidade. A reedição do 2º Congresso Afro-brasileiro tem, entre tantos outros, o mérito de contribuir para tal debate.
 
 
 
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