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Economia digital cria novas oportunidades

Existem vagas, mas poucos estão atentos ou preparados para ocupá-las.

 

Economia digital cria novas oportunidades

Existem vagas, mas poucos estão atentos ou preparados para ocupá-las

Você já ouviu falar em funções como customer sucess, scrum master ou agile coach? Não? Então, fique atento. Essas são algumas das atividades mais requisitadas atualmente no mercado, e algumas das mais bem remuneradas também. Elas estão particularmente relacionadas com empreendimentos inovadores e tecnológicos, na chamada Quarta Revolução Industrial, que se caracteriza pela mistura de tecnologias nas esferas física, digital e biológica. Essas tecnologias afetam quase todos os setores, em todos os países, transformando sistemas inteiros de produção, gestão e governança, rompendo padrões e modelos existentes.

Sócio fundador de uma startup voltada para o recrutamento de pessoal, a Intera, Augusto Frazão salienta que o universo das habilidades e competências exigidas hoje  se modificou profundamente. “Antigamente, as pessoas ingressavam nas faculdades  como passo para encontrar colocação profissional. Hoje, algumas organizações já dispensam a graduação acadêmica e passam a exigir uma formação mais específica”, diz. Ele faz questão de ressaltar que, de  modo  geral, a academia ainda está longe de se adaptar a essa revolução. 

 
Augusto Frazão diz que vale a pena investir em cursos on line que são oferecidos por custo baixo ou até mesmo gratuitamente (Foto: Arquivo pessoal/reprodução)

Essas novas áreas, de um modo  geral, apresentam um bom número de vagas. São novidades no mercado, poucos estão atentos ou preparados para elas. Em contrapartida, esses postos têm estruturas distintas de empregos convencionais. “As pessoas são resistentes porque, embora do ponto de vista salarial não haja grandes diferenças, em muitos momentos elas exigirão trabalho em dias e horários que tradicionalmente são de folga”. 
Presente
Em Salvador, por exemplo, novas atuações já começaram a aparecer como consequência de serviços como os oferecidos pelo Rappi, aplicativo de delivery de tudo. A empresa fechou parcerias com as redes G Barbosa e Perini (Grupo Ceconsud) para oferecer um serviço personalizado de compras, por meio dos personal shoppers, profissionais preparados para escolher os melhores itens para os usuários.

Ao fazer seu pedido, o cliente consegue conversar em tempo real com o assistente e, inclusive, pedir foto das mercadorias para avaliá-las melhor. O shopper também pode fazer substituições ou acréscimos de itens se solicitado pelo usuário. Quando todos os produtos são recolhidos, ele chama um entregador, que busca as compras no estabelecimento e os leva até o cliente.

Os salários de shoppers variam de acordo com a jornada, que pode ser  integral ou parcial. “É uma ocupação nova que atrai muita gente”, afirma o gerente de Operações Regionais da Rappi, Rafael Correia.

Como se preparar
De acordo com o presidente da regional baiana da Associação Brasileira de Recursos Humanos, Wladmir Martins, o processo de criação e extinção de funções é algo normal, especialmente nesses tempos de tecnologias disruptivas. “As pessoas têm muito temor da perda de cargos, empregos e funções, esquecendo que a perda de postos antigos tem o contraponto da substituição por outras funções”, pontua.

Martins ressalta que, hoje, as pessoas podem usar habilidades, competências e formação para atuar como técnicos e pilotos de drones, personal shoppers, administradores de bigdata ou  em atividades que ainda surgirão. “No passado, o serviço particular era o táxi, depois veio o Uber e outros aplicativos. Os motoboys deixaram de atuar em escritórios e passaram a integrar as equipes de aplicativos diversos e, hoje, quando se fala tanto de mobilidade e sustentabilidade, há entregas feitas de bicicleta”, fala. 

Martins diz que o segredo para se preparar para esses novos tempos é se manter atualizado, descobrir suas preferências, optando sempre por aquilo que traga satisfação pessoal e felicidade. “O dinheiro será uma consequência e não um propósito final. Depois que essa descoberta for feita, foque seus esforços para atuar naquilo”, ensina, ressaltando que nenhuma área permanecerá como está atualmente.
Augusto Frazão lembra que algumas organizações atualmente preferem contratar pessoas que tenham feito cursos específicos, muitas vezes oferecidos gratuitamente na internet, a exigir graduação ou pós-graduação.
“Muitos desses cursos são curtos ou muito baratos, então”, completa. Frazão destaca ainda que as competências mais desejadas pelas empresas da nova economia: capacidade de  resolução de problemas complexos, de gestão de pessoas e de decisão, criatividade, inteligência emocional, pensamento crítico, flexibilidade cognitiva e orientação para servir. 

 

Para transformar potencial em novas potências

Como uma parte significativa dos estudantes, ingressei na faculdade cheio de sonhos e expectativas. Essa empolgação me motivou a participar de inúmeros projetos acadêmicos, inclusive, da empresa júnior. Como era de se esperar, quando concluí a graduação,  participei com outros sócios e amigos da abertura de uma empresa de recrutamento nos padrões convencionais. Participávamos de apresentações corporativas diversas, mas fui percebendo que as necessidades eram outras. Particularmente, precisava de uma escala que o modelo de negócios não proporcionaria. Foi aí que pensei que o caminho estaria justamente no ecossistema de startups. Vi que muitos dos aspectos estudados na academia estavam absolutamente defasados. Por exemplo, se no passado a meta do atendimento era o call center, hoje, o atendimento precisa estar focado no sucesso do cliente. Antes, o setor de vendas pedia um perfil sedutor e comunicativo. Hoje, se entende que as vendas são uma ciência, que necessita de testes, análise de dados e desenvolvimento de softwares. Fomos entendendo as competências para os nossos clientes e, ao mesmo tempo, executando no nosso próprio negócio.
Com o passar do tempo, fomos compreendendo melhor o panorama desses novos tempos e compreendendo perfis e propostas em termos de recrutamento de recuros humanos, e assim nasceu a Intera. A nossa plataforma conta com um  portal de oportunidades para conectar talentos a contextos que transformam potencial em potência. Essa é a nossa proposta e com ela estamos hackeando o recrutamento de talentos.

 

Competências para a nova era

Resolução de problemas complexos  Essa qualidade está no topo do ranking para 2020. O Fórum Econômico Mundial salienta que, até 2023, 36% das atividades em todos os setores da economia deverão exigir essa  habilidade. 

Pensamento crítico  Olhar uma questão sob diversos ângulos, raciocínio estruturado, comunicação clara, fazer as perguntas certas, reconhecer o problema por trás do problema. Essas são as características desta competência do século. 

Criatividade  Ideias inusitadas e inteligentes, capacidade de desenvolver alternativas criativas para resolver problemas. Essa competência humana é imbatível, inclusive pelas máquinas. 

Gestão de pessoas  Motivar, identificar talentos e desenvolver pessoas é a habilidade chave para qualquer gestor 4.0. 

Coordenação  É uma competência crítica exigida aos CEOs do futuro, que precisam despertar colaboração e facilitação de processos. 

Inteligência Emocional Atravessar uma crise com serenidade sem perder a vontade de prosseguir. Fundamental para qualquer profissional.

Capacidade de julgamento e de tomada de decisões  Acertar na tomada de decisões em ambientes de alta complexidade é um contexto cada vez  mais frequente na rotina corporativa. Essa é uma habilidade que se destaca hoje e tende a ser  a mais desejada.

Orientação para servir Habilidade indispensável ao trabalho em equipe que diz 
respeito à inclinação para ajudar os outros.

Negociação  O relacionamento interpessoal exige alta capacidade de negociar. O Fórum Econômico Mundial destaca que as  áreas de computação, matemática e artes  exigirão bons negociadores.
 

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