Já Rodrigo Pacheco tem também sido citado como um possível aliado de Bolsonaro, principalmente pelo fato de ser o nome apoiado por Davi Alcolumbre (DEM-AP). Especulações recentes indicam que Alcolumbre pode ser contemplado com um ministério no governo assim que seu mandato no comando no Senado for concluído.
Mas o apoio (ou não) do governo é vista entre os senadores como uma moeda de duas faces. Se por um lado pode trazer os votos de parlamentares alinhados ao Planalto ou que apenas não querem se distanciar do governo, por outro pode inibir o apoio de senadores que fazem oposição ou são independentes.
Oposição e Muda Senado seguem indefinidos
Se na Câmara dos Deputados a oposição a Bolsonaro já consolidou apoio a uma candidatura sob o pretexto de combater o presidente da República, no Senado os adversários de Bolsonaro permanecem sem um posicionamento definido.
"Nós temos uma boa relação com o Davi [Alcolumbre]. E temos uma boa relação com o candidato dele também [Rodrigo Pacheco]. Mas também temos boas relações com outros segmentos", afirma o senador Humberto Costa (PT-PE). Segundo o parlamentar, a decisão do partido deve ser tomada nas próximas semanas.
Costa diz que a bancada está decidida a "não apoiar um candidato que tenha compromisso com Bolsonaro". Segundo ele, Pacheco não se afirmou até o momento como o candidato oficial do Palácio do Planalto – e, por isso, não há uma rejeição a priori do PT ao seu nome.
"A gente quer também discutir os espaços que o PT almeja ter dentro do Senado. Vagas na Mesa Diretora, presidência de comissões, esse tipo de coisa", acrescenta o petista. Hoje, o PT conta apenas com uma posição na cúpula do Senado – a de terceiro suplente, com Jaques Wagner (BA).
Outro grupo que ainda não definiu sua conduta na eleição é o Muda, Senado. A agremiação foi formada no início da legislatura por parlamentares que não se identificavam nem com os dirigentes da Casa e nem com a oposição liderada pelo PT. O grupo une desde senadores mais experientes, como Alvaro Dias (Podemos-PR) e Lasier Martins (Podemos-RS), quanto parlamentares de primeiro mandato, como Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e Soraya Thronicke (PSL-MS).
Um dos integrantes do grupo, Major Olímpio (PSL-SP), anunciou sua candidatura à presidência do Senado. Mas sua manifestação é vista como uma decisão individual, não como um projeto do grupo.
"O Muda, Senado é muito heterogêneo. Há algumas pautas de destaque que não são defendidas por todos os integrantes. Então é pouco provável que agora estejamos todos juntos na eleição. Ou pode até acontecer de estarmos unidos em público, mas no particular cada um votar de uma maneira", afirma, de forma reservada, um senador que integra o segmento.