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O que é o Talibã e como o grupo retomou o poder no Afeganistão

Saiba o que é o Talibã, como o grupo fundamentalista surgiu e como ocorreu o seu retorno ao poder

Após uma série de vitórias rápidas nos últimos dias, o Talibã retomou o controle do Afeganistão ao marchar no domingo, 15 de agosto, na capital do país, Cabul, quase 20 anos depois que seu regime foi derrubado pelas forças militares dos Estados Unidos e da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte). 

O que é o Talibã?
 
O Talibã é um grupo fundamentalista islâmico que governou o Afeganistão entre 1996 e 2001, perdendo o poder após a invasão dos EUA ao país. A maioria de seus membros é da etnia Pashtun, que representa mais de 40% da população do Afeganistão.

O grupo surgiu no início dos anos 1990, em uma época de guerra civil no Afeganistão, após a invasão soviética nos anos 1980 e a queda do presidente Mohammed Najibullah em 1992.

Alguns de seus membros, como o fundador e primeiro líder do Talibã, o mulá Mohammed Omar, lutaram contra a invasão comunista e participaram da derrubada de Najibullah, contudo, a maioria era estudante em escolas islâmicas, o que ajuda a explicar o nome Talibã, que siginifica “estudante islâmico que busca conhecimento”, de acordo com o escritor e especialista no tema Ahmed Rashid.

O local de nascimento do Talibã é Kandahar, a segunda maior cidade do Afeganistão, tomada pelo grupo no fim de 1994. Naquela época, o país estava virtualmente desintegrado, dividido em feudos de senhores de guerra. A violência e o crime eram endêmicos. Neste contexto, muitos afegãos apoiaram o Talibã com a expectativa de que, sob seu comando, teriam relativa paz e estabilidade. Em 1996, o grupo fundamentalista conquistou Cabul, declarando o Afeganistão um emirado islâmico.

Ao avançar, os talibãs desarmaram a população, assassinaram rivais e "infiéis" e passaram a implementar sua visão da Sharia, horrorizando afegãos, governos da região e o Ocidente. Sob seu domínio, mulheres raramente podiam sair de casa, mesmo para fazer compras, e quando o faziam, tinham que estar cobertas dos pés à cabeça com as longas burcas; escolas para meninas foram fechadas; qualquer via de entretenimento, como música, jogos, esportes e cinema, foi proibida.

De acordo com Rashid, em seu livro Taliban, o grupo se via como os purificadores de um sistema social que deu errado e de um estilo de vida islâmico que foi comprometido pela corrupção e pelo excesso.

Nos cinco anos em que governou o Afeganistão, o Talibã permitiu que grupos terroristas usassem o país para planejar ataques em solo estrangeiro. Um desses grupos foi a al-Qaeda de Osama bin Laden, que planejou e conduziu vários atentados contra os Estados Unidos, sendo o pior deles o ataque de 11 de Setembro ao World Trade Center e ao Pentágono.

Com a invasão do Afeganistão em outubro de 2001, as tropas americanas derrubaram o regime do Talibã. Mas, como a história posteriormente documentou, este não foi o fim do grupo que agora, vinte anos depois de sua derrota, voltou a controlar o país.

O ressurgimento
 
Com a chegada das tropas americanas ao Afeganistão, vários líderes do Talibã fugiram para o Paquistão, onde contavam com o apoio de autoridades de segurança do país. Exemplo da presença do grupo no país vizinho é o fato de que o mulá Omar morreu em 2013 em Karachi, no Paquistão, segundo o governo afegão que foi instaurado após a invasão americana.

O grupo terrorista foi responsável pelo atentado, em 2012, contra a paquistanesa Malala Yousafzai, a estudante que viria a se tornar uma proeminente defensora do direito das mulheres à educação e vencedora do Prêmio Nobel da Paz. Na época do atentado, o vale do Swat, onde Malala morava, era dominado por talibãs.

No Paquistão, o grupo fundamentalista se reorganizou. A longa presença dos EUA no Afeganistão serviu para recrutar "soldados" descontentes com o “colonialismo” americano, assim como os escândalos de corrupção no governo afegão apoiado pelos EUA. O medo também fez parte da estratégia do grupo, que assassinava moradores que se alistaram no exército ou na polícia, jornalistas locais ou líderes civis.

Desta maneira, o Talibã começou a retomar sua força aos poucos, pelo interior do país, vila por vila, segundo disse Robert Crews, especialista em Afeganistão na Universidade de Stanford, ao Washington Post. Já em 2017, de acordo com um estudo da BBC News, eles controlavam mais de dez distritos do país.

Em 2019, já era inegável o poder que o Talibã tinha sobre boa parte do país. Sob Donald Trump, o governo americano fechou um acordo com o grupo fundamentalista no começo de 2020, comprometendo-se a retirar as tropas dos EUA do Afeganistão em troca do fim dos ataques às posições americanas no país e do diálogo de paz com o governo afegão.

O Talibã não cumpriu seu compromisso, mas, diante da pressão dos eleitores americanos para “acabar com as guerras sem fim”, o presidente Joe Biden deu seguimento ao plano e prometeu a retirada das tropas americanas até 31 de agosto.

Enquanto os soldados da Otan iam deixando suas posições, o Talibã intensificava suas ofensivas. Em julho, eles alegaram controlar 85% do território afegão. Em cada cidade conquistada, os talibãs recrutavam prisioneiros que eles libertavam e tomavam as armas e equipamentos das autoridades locais.

No começo de agosto, eles tomaram grandes e importantes cidades, como Kandahar, e, neste domingo, sequer esperaram que os americanos terminassem a evacuação de seu pessoal diplomático para marchar em Cabul.

Isso foi interpretado por analistas de política internacional como uma humilhação para os Estados Unidos. Soma-se a isso o fato de que americanos passaram anos treinando as forças de segurança afegãs que, em muitas cidades, sequer lutaram para defender o governo. As armas americanas que foram entregues ao governo afegão, agora estão em poder do Talibã.

Entre os homens que compõem a liderança do Talibã, como Haibatullah Akhunzada e o mulá Mohammad Yaqoob, o mais cotado para assumir a presidência do Afeganistão é o mulá Abdul Ghani Baradar, um dos fundadores do Talibã que até então liderava o grupo nas negociações de paz intra-afegãs.
 
Fonte Gazeta do Povo
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