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Governo Joe Biden: como devem ser os primeiros 100 dias

Democrata terá de enfrentar problemas urgentes e tentar unir um país ainda mais polarizado após a campanha eleitoral

 

O democrata Joe Biden foi vice-presidente de Barack Obama  Foto: Angela Weiss/AFP

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O democrata Joe Biden deve enfrentar uma série de desafios já nos 100 primeiros dias de governo. Segundo analistas, a prioridade imediata é encontrar soluções para a crise do novo coronavírus, responsável por graves efeitos econômicos e por colocar os Estados Unidos à pior posição do mundo no número de mortes e infecções. O novo presidente vai ter de lidar ainda com pressões para pacificar um país internamente rachado e ainda reverter ações do seu antecessor na política internacional.

 

Com mais de 235 mil mortes e 9 milhões de casos de covid, a expectativa é que, uma vez na Casa Branca, Biden consiga implementar um plano nacional para controlar os efeitos da crise de saúde. “Este é o problema mais urgente”, avalia o cientista político David Fleischer, professor emérito da Universidade de Brasília (UnB). “A pandemia está derrotando Trump e justamente agora, às vésperas da eleição, há um novo surto em vários Estados. Durante a campanha, a fala de Biden foi muito forte no sentido de que o novo coronavírus tem sido tratado com negligência”.

No programa de governo, Biden defende ampliar a capacidade de testes e de rastreamento – estratégia indicada por cientistas para identificar focos ativos da doença, conseguir isolá-los e reduzir a taxa de transmissão. Também promete vacinação gratuita assim que um dos imunizantes se mostrar eficaz e seguro.

Para recuperar a economia, o plano ainda prevê socorro a famílias em dificuldade financeira e investimento de mais de US$ 2 trilhões (R$ 11,5 trilhões) nos próximos quatro anos, com foco em energia limpa e indústria. Especialistas analisam, no entanto, que é cedo para saber o quanto Biden será capaz de articular as mudanças legislativas necessárias com o Congresso.

No melhor dos cenários para os democratas, além de vencer a eleição presidencial, o partido conseguiria manter o controle da Câmara e inverter o quadro no Senado, hoje com mais cadeiras ocupadas por republicanos.

“Tudo depende de que tipo de oposição vai existir no Congresso. Há grandes chances de ele conseguir maioria e ter mais latitude para aprovar pacotes legislativos”, afirma o professor de relação internacionais da FAAP Carlos Poggio. “Com os gastos por causa do novo coronavírus, o ponto central será como Biden vai tratar a questão fiscal e quais aumentos de impostos vão passar”.

Visto como moderado, Biden também precisa lidar com demandas de uma crescente ala mais à esquerda dentro do partido. Para contemplá-la, é possível que tenha de nomear integrantes do grupo para sua equipe, segundo afirmam especialistas. Em contrapartida, há integrantes do partido republicano que se voltaram contra Trump, declararam apoio a Biden e são especulados no gabinete.

“Ele (Biden) vai ter uma grande dificuldade para conseguir equilibrar esses interesses”, analisa Poggio. “Vejo a possibilidade de uma crescente divisão dentro do partido, uma vez que membros mais radicais podem ficar decepcionados. Isso pode levar à fragmentação dos democratas”.

 

Alianças que Trump desfez serão retomadas

Na política externa, a expectativa é que Biden retome alianças tradicionais e trabalhe para “passar uma borracha” nos atos do atual presidente. Entre as medidas esperadas, está a reaproximação dos Estados Unidos com países da Europa, a volta a acordos pelo clima e o apoio à Organização Mundial de Saúde (OMS) e ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, relações desfeitas por Trump.

“Biden será muito pressionado, tanto por demandas internas quanto por forças externas, para rapidamente se manifestar nesse sentido”, avalia Fernando Rei, professor de direito ambiental da FAAP. Espera-se, por exemplo, que o democrata cumpra a promessa feita durante a campanha de voltar ao Acordo de Paris, pelo qual 195 nações se comprometem a reduzir emissões de gases estufa.

Segundo pesquisadores, a possível troca na presidência também pode impactar nas relações com o governo Jair Bolsonaro, aliado de Trump. No primeiro debate eleitoral, em setembro, Biden chegou a mencionar as queimadas na Amazônia. “Com relação aos efeitos dessa agenda, se o Brasil não tiver uma mudança de postura pragmática, naturalmente sofrerá mais pressões dos Estados Unidos e da União Europeia, inclusive com repercussões para ratificação do acordo com o Mercosul”, diz Rei.

Professor de Relações Internacionais da FGV-EAESP, o cientista político Guilherme Casarões avalia que o democrata terá de recorrer a “muito esforço diplomático” para “desconstruir a obra de Trump”. “Muitas lideranças europeias estão entusiasmadas com Biden e isso pode acelerar o passo para a ‘volta à normalidade’”, afirma. “Um dos grandes desafios será na América Latina, onde o cenário é mais complicado e existem governos à direita que criaram vínculo muito forte com Trump.”

Para os especialistas, a eleição de Biden representa uma oportunidade de os Estados Unidos retomarem o acordo nuclear com o Irã, o que ajudaria a arrefecer as tensões com o Teerã, conforme também prometeu o democrata. Por sua vez, compromissos firmados por Trump para aproximar Israel de países árabes são vistos como um vespeiro em que dificilmente um novo governo conseguiria interferir.

A guerra comercial com a China aparece no centro da política externa americana e é vista como uma disputa acima de questões de governos. Na análise de cientistas políticos, a mudança na presidência poderia até deixar o conflito menos volátil, mas não representaria uma solução definitiva.

“Biden deve pegar uma China muito maior e mais assertiva do que Trump pegou em 2016, então vai ter de trabalhar bastante para recuperar espaços econômicos que os Estados Unidos perderam”, avalia Casarões. “A questão vai ser: como competir sem antagonizar com a China? Ele vai precisar encontrar um equilíbrio, correndo o risco de acabar saindo como um presidente fraco para o público interno”.

 

Um país dividido que precisa de união

Internamente, o perfil mais ao centro de Biden é considerado um trunfo para tentar reunificar um país dividido. Os desafios incluem o aumento de conflitos entre grupos supremacistas e movimentos antirracistas nos Estados Unidos, onde uma onda de protestos ganhou força após George Floyd, um negro que foi asfixiado por um policial branco.

Coordenadora de política externa da Conectas, organização de defesa dos direitos humanos, Camila Asano afirma que, se eleito, dificilmente Biden vai poder escapar do tema no discurso oficial. “Ele deve herdar um país polarizado e com a divisão incentivada pelo populismo de Trump”, diz. “Falar sobre racismo estrutural é tocar em uma ferida profunda dos Estados Unidos. Ele vai ter de trabalhar para que as pessoas entendam que defender minorias é o melhor para o interesse da maioria.”

Há expectativa de que o democrata submeta ao Legislativo um pacote para reformar a atuação policial – possibilidade, contudo, que pode perder força dependendo da atmosfera no Congresso. Também são aguardadas alterações na política migratória, que no governo Trump ficou marcada pelo discurso de “tolerância zero” a imigrantes ilegais e até por cenas de crianças sendo separadas dos pais. Para os especialistas, no entanto, o que Biden fará com o muro em construção na fronteira com o México continua sendo uma incógnita.

 

Felipe Resk, O Estado de S.Paulo

07 de novembro de 2020 | 13h40

 

https://internacional.estadao.com.br/noticias/geral,governo-joe-biden-como-devem-ser-os-primeiros-100-dias,70003503321

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